MIRIAM CONSTANTE - Crônicas do Endurance Podcast #23
Performance com responsabilidade: a importância dos primeiros socorros no esporte – com Miriam Constante
No universo da corrida, do ciclismo e do endurance, é comum falar de VOâ, pace, watts, ganho de elevação e volume semanal. Mas há um tema tão ou mais importante do que qualquer métrica de performance e que, muitas vezes, fica em segundo plano: segurança e prevenção em saúde.
No Episódio 23 do podcast Crônicas do Endurance, a conversa é justamente sobre isso. Recebemos Miriam Constante, corredora, ciclista, atleta de provas de MTB e ultramaratonas, com atuação direta na área da saúde e forte experiência em atendimento pré-hospitalar.
Mais do que alguém que treina e compete, Miriam está na linha de frente quando algo dá errado: é ela quem vê, no dia a dia, o que acontece quando prevenção, informação e estrutura falham.
Quem é Miriam Constante: quando o esporte encontra o APH
A trajetória da Miriam é uma síntese poderosa entre prática esportiva e formação em saúde. Ela reúne um conjunto de credenciais que dão densidade técnica à sua fala:
-
Corredora e ciclista, com experiência em provas de MTB e ultramaratonas
-
Instrutora de Primeiros Socorros e Suporte Básico de Vida (SBV) – Nível 04
-
Integrante do time de mentores do Instituto Brasileiro de Atendimento Pré-Hospitalar
-
Bacharel em Educação Física
-
Pós-graduação em Medicina do Esporte na UCS (em andamento)
-
Técnica em Enfermagem, atuante no Atendimento Pré-Hospitalar (APH)
-
Graduação em Gestão Hospitalar
-
MBA Executivo em Saúde
Essa combinação cria um ponto de vista raro: Miriam conhece o esporte por dentro – como atleta – e conhece o sistema de saúde por dentro – como profissional. Ela vê o treino, o pelotão, a linha de chegada, mas também vê a ambulância, a intervenção, o protocolo e o desfecho.
No episódio, isso se traduz em um discurso direto, fundamentado e sem romantização: a prática esportiva é incrível, transformadora, mas carrega riscos reais que não podem ser ignorados, especialmente à medida que as distâncias aumentam e a intensidade sobe.
Primeiros socorros: o que todo atleta amador deveria saber
Um dos eixos centrais da conversa é a ideia de que primeiros socorros não são “assunto de profissional da saúde” apenas, mas uma competência básica de qualquer pessoa ativa, sobretudo de quem participa de provas, grupos de pedal, corridas de montanha ou eventos de endurance.
Miriam aborda, de forma clara e aplicável, pontos como:
-
Reconhecimento precoce de sinais de mal-estar grave (desmaios, dor torácica, dificuldade respiratória, alteração de consciência);
-
Noções básicas de Suporte Básico de Vida (SBV) que podem ser decisivas nos primeiros minutos de um evento crítico;
-
Condutas que ajudam – e condutas que atrapalham – enquanto o atendimento profissional não chega;
-
A importância de saber acionar o serviço adequado, comunicar corretamente o quadro e orientar quem está ao redor.
Não se trata de transformar cada corredor ou ciclista em socorrista, mas de tirar o atleta da posição de mero espectador em situações de emergência. Em muitos cenários, os primeiros minutos são definidores, e aquilo que é feito (ou não é feito) nesse intervalo pode alterar completamente o desfecho.
Prevenção em saúde: antes da prova, vem o check-up
Outro ponto-chave do episódio é a discussão sobre prevenção e acompanhamento médico. O aumento da popularização da corrida de rua, do ciclismo e das provas de resistência trouxe também um fenômeno colateral: um contingente crescente de atletas amadores que se submetem a volumes e intensidades altas sem qualquer estrutura mínima de avaliação clínica.
Miriam reforça a importância de:
-
Realizar avaliação médica periódica, especialmente em quem tem histórico familiar de doenças cardiovasculares;
-
Discutir com o médico a prática esportiva pretendida (tipo de prova, duração, intensidade, metas);
-
Respeitar sintomas que o corpo emite – e não normalizar sinais de exaustão, dores persistentes, palpitações ou mal-estar recorrente;
-
Tratar a planilha de treinos como parte de um ecossistema que inclui descanso, sono, nutrição, saúde mental e acompanhamento profissional.
A mensagem é direta: não basta “se sentir bem” para se considerar apto a enfrentar uma maratona, uma ultramaratona ou um longo de bike sob calor intenso. Performance sustentável começa com um baseline de saúde bem avaliado.
Riscos invisíveis: quando o amador se comporta como profissional (sem ter a mesma estrutura)
Um dos pontos mais provocativos da conversa é a diferença entre o atleta profissional e o atleta amador que “treina como profissional” sem, no entanto, ter a mesma estrutura de suporte.
O profissional, em geral, conta com equipe multidisciplinar: médico, fisiologista, nutricionista, fisioterapeuta, treinador, suporte de prova, exames recorrentes. O amador muitas vezes replica o volume e a intensidade que vê nas redes sociais, mas:
-
Treina em horários extremos, sem monitorar adequadamente hidratação e exposição ao calor;
-
Usa suplementos, estratégias de recuperação e fármacos sem orientação individualizada;
-
Sobe o volume rápido demais para “chegar pronto” a uma prova;
-
Não comunica sintomas ao médico ou ao treinador por medo de “perder a prova”.
Miriam traz, a partir da vivência no APH, exemplos de como essa equação pode dar errado. E reforça que não há mérito algum em ignorar riscos. O objetivo não é colocar medo, mas alinhar expectativa: esporte é saúde quando vem acompanhado de estrutura, autocuidado e informação qualificada.
A responsabilidade compartilhada: atleta, organização e comunidade
Outro aspecto importante é a noção de que segurança no esporte é uma responsabilidade compartilhada:
-
Do atleta, que precisa se conhecer, se avaliar e não ultrapassar limites sem critério;
-
Das assessorias esportivas, que devem respeitar princípios de progressão de carga e individualização;
-
Das organizações de prova, que precisam garantir rotas seguras, presença de equipes de APH, planos de contingência e comunicação clara;
-
Da comunidade esportiva como um todo, que pode fortalecer uma cultura em que cuidar de si e dos outros é parte orgânica da experiência.
Dentro dessa perspectiva, a fala de Miriam funciona como um convite à maturidade do cenário amador: crescer como mercado não é só ter mais provas, mais inscrições e mais medalhas – é ter mais consciência e mais qualidade de cuidado.
Onde a Pakuá se conecta com esse tema
A Pakuá nasceu da vivência real no esporte e da compreensão de que equipamento, identidade e segurança caminham juntos. Não basta vestir bem; é preciso entender em que contexto aquela peça será usada: longões sob calor, trilhas técnicas, provas em ambientes remotos, treinos noturnos.
Ao trazer alguém como Miriam Constante para o Crônicas do Endurance, reforçamos um ponto que consideramos inegociável:
a performance só faz sentido se vier acompanhada de cuidado com o corpo e a vida de quem veste nossas peças.
Falar de primeiros socorros, SBV e prevenção não é sair do tema “esporte”; é aprofundá-lo.
Por que este episódio é obrigatório para atletas amadores
O episódio com Miriam é especialmente relevante para:
-
Corredores e ciclistas que participam de provas de rua, trilha, MTB e fundo;
-
Atletas amadores que aumentaram volume e intensidade nos últimos anos;
-
Organizadores de provas, treinadores e assessorias que querem elevar o padrão de segurança em seus projetos;
-
Pessoas que já presenciaram mal-estar ou emergências em treinos e provas e não souberam como agir.
Mais do que informações técnicas, a conversa oferece um deslocamento de perspectiva:
antes de pensar em RP, vale pensar em RCP.
Antes de falar em “baixar o pace”, vale garantir que o coração, o sistema cardiovascular e o corpo como um todo estejam prontos para a carga que se pretende suportar.
Se você vive o esporte, corre, pedala ou acompanha alguém nessa jornada, o Episódio 23 do Crônicas do Endurance é um conteúdo essencial. Não apenas para render mais, mas para seguir podendo treinar, competir e viver o esporte por muitos anos – com saúde, consciência e responsabilidade.
_____________________________
O MELHOR em confecções personalizadas na Serra Gaúcha você encontra na Pakuá Sport!
Siga o instagram do canal e fique por dentro da rotina de treinos do Tiago bem como de insights que elevarão o nível da tua prática esportiva bem como da tua
jornada de desenvolvimento pessoal: cronicasdoendurance
INSCREVA-SE NO CANAL: YouTube | Spotify
Acesse o projeto na INTEGRA NO LINK ABAIXO:
>>>> PROJETO CRÔNICAS DO ENDURANCE <<<<
Host: Tiago Guerra
Produção: Alcateia Produtora